quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Rabiscando o céu das Arábias

A mineira Sol Marajos se divide entre reuniões de negócios e a busca pelo título inédito no Mundial de paraquedismo freestyle

Em Dubai, numa sociedade onde a mulher é tratada de forma submissa, a mineira Sol Marajos tem vivido uma experiência peculiar. Executiva de uma multinacional canadense, ela tem conciliado reuniões de negócios com a sua participação no Mundial de Paraquedismo, que vai até o dia 8. Mãe de dois filhos, skatista, dançarina de pole dance e louca por adrenalina, a bicampeã nacional de salto freestyle tenta o primeiro título mundial do país conquistado por uma mulher nessa categoria.

— Fui respeitada e ouvida nas minhas reuniões de negócios em Dubai. Além disso, usei os mesmo trajes que uso no Brasil para trabalhar. Na área de salto, as moças passeiam com shorts, saias e tops. São mais dois mil atletas do mundo inteiro, sendo 57 brasileiros — conta Sol, revelando como anda o ambiente na cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos — Foram investidos US$ 30 milhões na estrutura do evento. O dono da área de saltos é o o príncipe Hamdan bin Mohammed. A cidade inteira está decorada com bunners, outdoors...
Acidente fatal

Sol Marajos começou a praticar paraquedismo em 2010. De lá para cá, já foram mais de mil saltos, realizados pelo Brasil, Estados Unidos, Argentina e Paraguai. Entretanto, o caminho para chegar a Dubai não foi fácil. O principal parceiro de salto e namorado, Alex Adelmann, morreu num acidente a quatro meses do Mundial. Nome respeitado no paraquedismo brasileiro, e mais conhecido como Sangue, ele não resistiu após ser atingido pela asa do avião de onde havia saltado para fazer a filmagem de outros dois esportistas.

O acidente fatal chocou o cenário nacional da modalidade e, desde então, atormenta a cabeça e as noites de Sol. Inicialmente, o plano era competir o Mundial ao lado de Alex, já que na categoria freestyle o competidor precisa de um cinegrafista para filmar seu desempenho no salto. Determinada, fiel e comprometida, como a própria se define, ela não deixou se abater e partiu para Dubai ao lado do cinegrafista e amigo Rogério Botton.

— Vim para Dubai com a certeza de não ter desistido de um sonho meu e do Alex — revela Sol, que usa os saltos como uma forma de terapia e garante que o esporte é seguro. — O acidente foi um erro cometido pelo piloto do avião que em uma manobra atingiu a cabeça do Alex. É algo parecido como se ele fosse um ciclista e de repente um ônibus o acertasse. O paraquedismo é um esporte seguro. Hoje, temos equipamentos de alta tecnologia, o que garante a integridade física do esportista.

Tanta segurança deixa Sol confiante para incluir o paraquedismo no programa da família. Aos fins de semana, ela pega a estrada em direção a Boituva (SP) para levar o filho de 7 anos e a filha de 15 anos para ver os seus saltos. As crianças adoram, desejam boa sorte antes do salto e chegam a compartilhar os vídeos com a performance da mãe no colégio.


Fonte: esportesradicaisx
Por Victor Costa
Foto: divulgação
Proradicalskate

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