quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Rapel no Buraco das Araras atrai esportistas radicais

A 80km de Brasília, o local é perfeito para quem quer aprender a fazer rapel ou se aperfeiçoar na prática


O município de Formosa, ao nordeste de Goiás, é bastante lembrado quando se pensa em cachoeiras, como Salto do Itiquira, Indaiá e Santana. A Lagoa Feia é outro ponto turístico da região, procurado frequentemente pela infraestrutura e pela variedade de ofertas de esportes aquáticos. A cidade esconde ainda outros recantos naturais, como o Buraco das Araras. A 80km de Brasília, é atualmente um ponto de encontro para os ecoturistas e os amantes de esportes radicais.

No meio do cerrado, foram literalmente abertas as portas de entrada para essa caverna. A formação rochosa calcária, ao longo dos anos, sofreu alterações naturais em sua estrutura à medida que a passagem de água dos lençóis freáticos da região abriu galerias. O solo poroso e encharcado acabou não suportando a formação quártzica de sua parte mais superficial, o que ocasionou o desmoronamento e a formação de uma dolina (vale) com mais de 100 metros de altura e 80 de largura.

O acesso à região é fácil. Pode ser feito em carro próprio ou em transporte de turismo, previamente contratado e mais seguro. A descida, por meio de rapel, requer equipamentos e acompanhamento de profissionais especializados. Mas, para se aventurar, não é preciso experiência. “Nos primeiros 15 metros, a pessoa desce escorada a uma parede de pedra vertical, com aproximadamente 90º de inclinação. Depois disso, a cratera forma um negativo (sem apoio para os pés) e a descida é livre”, explica o instrutor Maurício Martins, com 18 anos de experiência no esporte, seis deles no Buraco das Araras. Outra opção é descer percorrendo uma trilha íngreme, mas sem a adrenalina que o rapel oferece.
Vencidos os primeiros metros, o turista tem a real dimensão do tamanho e da beleza do lugar. O buraco abriga uma vegetação típica de mata atlântica, onde é possível admirar samambaias gigantes e árvores centenárias, que estão por toda a parte. Do lado de fora, há o visual do cerrado, mas dentro da cratera — devido ao acúmulo de água das chuvas — o clima é quase tropical. Por isso, o interior torna-se área de repouso para diversas aves, que aproveitam a umidade e a grande oferta de sombra. Daí vem o nome de Buraco das Araras.

Depois de uma caminhada de cerca de 300 metros pelas pedras, tem-se acesso à entrada de uma das duas grutas que existem por lá. Com cerca de 30 metros de extensão, o espaço deve ser percorrido com o uso de lanternas, pois não há entrada de luz externa. No fim da descida, um límpido e refrescante lago subterrâneo e o silêncio do local permitem um momento de descanso.

Na volta, o turista ainda vai praticar a “escalaminhada” (caminhada com alguns trechos de escalada), também com o uso de equipamentos específicos. “Além de fazer com que a pessoa enfrente medos e se supere, esse exercício nos mostra a grandiosidade e o poder da natureza. É a sensação de como somos pequenos nesse mundo”, aponta o instrutor. Quando chegar ao topo novamente e olhar para dentro do buraco, você vai perceber que as belezas do cerrado são realmente misteriosas e surpreendentes.


Fonte: Correio Braziliense Por: Jacqueline Saraiva
Foto: Divulgação
Proradicalskate


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